Análise de crédito
Análise de crédito é o processo que instituições financeiras usam para avaliar a capacidade de crédito de quem solicita um empréstimo antes de conceder crédito. Essa avaliação ajuda a estimar a probabilidade de pagamento e a decidir se a solicitação será aprovada, contribuindo para uma concessão responsável e para a gestão de riscos.
A primeira política de crédito de uma nova instituição parte dos requisitos do regulador, de listas negras compartilhadas e dos bureaus de crédito, além da experiência de instituições que atravessaram dois ou três ciclos de crédito. Os limites praticados no mercado servem de referência inicial conservadora para novos produtos. Profissionais ajudam a equipe a conhecer novos clientes e investigar fraudes. Depois, a instituição registra a política por escrito, testa seu desempenho com os resultados das operações em andamento e a ajusta conforme os dados chegam.
Comece pelas exigências do regulador
Uma nova instituição deve começar pelas exigências do regulador para crédito ao consumidor e proteção do consumidor. Defina primeiro as regras que determinam quem pode tomar crédito.
Verifique a idade mínima para contratar crédito e a renda disponível mínima exigida. Defina os demais requisitos, inclusive se é necessário ter emprego. Confira também a elegibilidade de estudantes conforme as exigências locais.
Consulte listas compartilhadas de fraude
Além dos requisitos do regulador, conecte-se a todas as listas compartilhadas disponíveis no seu mercado e aos bureaus de crédito.
Comece pelas listas a que você tem acesso. Depois, avalie se alguma é restritiva demais ou está desatualizada. É melhor começar com alguma informação do que não ter nenhuma.
Use políticas de instituições experientes com cautela
Além das regras do regulador e das listas compartilhadas, muitas instituições que estão começando consultam as políticas de quem já atua no mercado. Uma nova instituição pode contratar um analista de crédito de uma empresa estabelecida e copiar suas regras, sem saber por que elas existem. Essa abordagem pode evitar problemas logo no início, mas também pode deixar a taxa de aprovação baixa demais. A instituição pode começar com uma postura mais conservadora e flexibilizar as regras depois.
O erro maior é achar que sua política será melhor porque você entende mais do que instituições que atuam no mercado há 10 a 20 anos. Elas já passaram por pelo menos dois ou três ciclos de crédito e conhecem os ciclos econômicos e de crédito. Se sobreviveram, há algo na política de crédito delas que faz sentido. Achar que você sabe mais é uma suposição absurda.
Defina os primeiros limites com base no mercado
O valor de um empréstimo depende da renda disponível da pessoa, da capacidade de financiamento da instituição e do prazo dos recursos. A parcela mensal precisa caber no que a pessoa pode pagar, e o prazo do empréstimo deve estar dentro do período em que a instituição terá os recursos. Se os recursos estiverem disponíveis por três anos e o produto tiver prazo de dois, os prazos são compatíveis.
Para definir o primeiro limite de cartão de crédito, a referência é outra. Ao entrar em um mercado, observe os limites oferecidos por instituições estabelecidas. Não conceda um limite maior do que a maioria delas costuma oferecer.
O histórico de crédito ajuda a identificar os limites que uma pessoa já tem em outras instituições e quanto usa de cada um. Os registros de crédito mostram o saldo, a situação e o histórico de pagamentos de cada conta e, em geral, também o limite. Algumas instituições não informam o limite, então os dados podem estar incompletos. Uma pessoa pode ter cartões em várias empresas, e as linhas de crédito existentes mostram os limites concedidos e se estão sendo usados.
Algumas instituições, no passado, acessaram por meios automatizados a conta da pessoa solicitante em outra instituição para consultar o limite e oferecer o mesmo valor ou, por exemplo, 10% a mais.
Com a PSD2, as normas finais da Autoridade Bancária Europeia proibiram a raspagem de tela, prática em que um software acessa a conta online de um cliente usando as credenciais dele. Desde 14 de setembro de 2019, os bancos da União Europeia precisam oferecer uma interface específica a provedores licenciados de informações de contas, usada com o consentimento do cliente.
Mantenha o contato humano com novos clientes
As comparações de mercado não mostram tudo o que um novo credor precisa aprender sobre seus clientes. Ligações de boas-vindas e testes de sensibilidade com novos clientes nunca devem ser automatizados. Ao entrar em um novo mercado, tenha algumas pessoas de crédito fazendo ligações de boas-vindas para novos clientes. Alguns testes de sensibilidade com novos clientes também devem ser feitos por pessoas. As ligações ajudam a equipe de crédito a entender quem são os clientes.
A investigação de fraudes precisa de pessoas que saibam analisar casos. Elas devem usar os dados para descobrir o que está acontecendo. Subestimar esse trabalho pode trazer problemas quando uma onda de fraudes atingir a instituição.
Formalize a política antes de automatizar
Levar uma política de crédito de uma planilha para um sistema que decide solicitações em tempo real pode levar algumas horas ou alguns dias, dependendo do mecanismo de decisão. Com um mecanismo de decisão de crédito antigo e complexo, o trabalho pode levar alguns meses.
O cenário mais difícil é a análise manual de crédito sem uma política formalizada. A política escrita pode ser bem diferente da forma como cada empréstimo é aprovado na prática. A instituição pode descobrir que as aprovações seguem critérios muito diferentes dos que a política sugere. Essa diferença dificulta a automação. Sem uma política formalizada, o trabalho pode virar uma confusão.
Avalie a estabilidade dos resultados
As solicitações analisadas em tempo real mostram se a política escrita gera resultados estáveis. Nos primeiros três meses, você concede os primeiros empréstimos e observa os primeiros casos de inadimplência no pagamento inicial. Se esse primeiro indicador se mantiver estável, continue acompanhando os resultados da política ao longo do tempo.
Com um volume estatisticamente significativo de solicitações de crédito, a taxa de aprovação e a taxa de maus pagadores devem se manter estáveis dia após dia. Se a taxa de aprovação ficar em 60% ou 70%, deve permanecer nesse patamar todos os dias. A taxa de maus pagadores também deve se manter estável. Acompanhe-a diariamente ou semanalmente, conforme o volume de empréstimos concedidos. Com solicitações suficientes, ela não deve ser 3 em um dia e 10 no seguinte.
Ajuste a política conforme os dados chegam, considerando o segmento do setor, a capacidade da instituição e o desempenho da cobrança.
Perguntas frequentes
Como definir o primeiro limite de cartão de crédito de uma nova instituição?
Use como referência os limites já oferecidos por instituições estabelecidas, em vez de começar com um valor maior. O histórico de crédito pode mostrar os limites existentes e quanto as pessoas usam, mas algumas instituições não informam esses valores. Se os dados estiverem incompletos, comece com cautela e reavalie o limite quando tiver resultados de pagamento dos seus próprios clientes.
Quando uma nova instituição deve começar a ajustar uma política emprestada de instituições estabelecidas?
Nos primeiros três meses, conceda os empréstimos iniciais e acompanhe a inadimplência na primeira parcela. Depois, espere até que as taxas de aprovação e de maus pagadores se mantenham estáveis em um número suficiente de solicitações para avaliá-las. Acompanhe os indicadores diariamente ou semanalmente, conforme o volume de empréstimos concedidos. Se as taxas oscilarem ou houver poucos dados para avaliá-las, continue reunindo resultados em vez de alterar o ponto de corte com base em um único dia.
O que precisa acontecer antes de automatizar a análise manual de crédito?
Registre como as decisões de crédito são tomadas na prática e compare essa política com as regras que as pessoas dizem seguir. Se houver diferenças, resolva essas lacunas antes de criar a lógica de decisão. Caso contrário, o sistema pode reproduzir uma versão incorreta da política. Esse trabalho pode levar mais tempo do que transferir para um mecanismo de decisão uma política já documentada.
A página sobre gestão da política de crédito mostra como as mudanças na política se tornam revisões que a equipe pode comparar, testar novamente e avaliar pelo impacto nas decisões anteriores.